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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sin Comunicação: criatividade, confiança e dinheiro


Por Ruy Dantas


Muitas agências de publicidade ganham dinheiro com veiculação de mídia. Poucas agências ganham dinheiro com ideia criativa.


 Poucas agências constroem relação de confiança com seus clientes. Normalmente, porque a maioria pensa em garantir a folha de pagamento no fim do mês. Mas o curioso é que dinheiro e confiança são duas coisas indispensáveis, que se conquistam: se você é competente, ganha dinheiro. Se você é verdadeiro, ganha confiança. Em muitos casos, para ganhar confiança, o mais sensato é não pensar em dinheiro. É isso que a Sin Comunicação - junto com a i2 Inteligência - faz todo ano e fez de novo em 2012.

No início deste ano, ganhamos a conta do Centro Universitário Unipê, que em 2011 investiu uma verba considerável para divulgar seu vestibular. Com a Sin e a i2 Inteligência gerindo a comunicação, o valor investido foi 25% da verba de 2011. Vale a pena repetir: Em 2011, verba X. Em 2012, ¼ de X. Curiosamente, o resultado das inscrições do vestibular de 2012 foi 50% superior ao de 2011.

O grande segredo? É que nada disso é mágica. Publicitário não faz magia. Percebemos que em 2011 toda aquela verba foi investida nas mídias tradicionais: TV, jornal, rádio e outdoor. Este ano fizemos o óbvio (ser criativo, às vezes é ser óbvio): investimos também na internet. Ora, nosso público-alvo são os estudantes, e como interagir com eles longe da internet? Seria impensável não investir neste meio.

Pois é, mas, muitas vezes, as pessoas não pensam. Ou melhor, pensam, mas pensam no próprio umbigo. Esquecem que o que faz uma agência ser bem sucedida é sua capacidade de conquistar a confiança do cliente, até porque todo cliente gosta que você olhe no olho. É assim que ele sabe se você está mais preocupado com seu umbigo ou com a empresa dele.

Sobre o Autor: Ruy Dantas é Jornalista, publicitário, apresentador de rádio e televisão, empresário, presidente da Sin Comunicação, e vice-presidente da I2 Inteligência (Empresa de Gestão de Imagem). Em apenas seis anos conseguiu levar a Sin Comunicação a tornar-se a maior agência de propaganda do Estado da Paraíba, e a mais premiada nas regiões Norte e Nordeste. As duas empresas são responsáveis pela gestão de imagem de grandes marcas e entidades públicas. Entre elas, a Energisa; o Grupo Bertin/ Batista - braço de energia do Rio de Janeiro -; o Grupo MCF Facility, do Ceará; e a Unimed João Pessoa; 11 prefeituras municipais, a Câmara Municipal de João Pessoa e o Governo do Estado da Paraíba.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A publicidade, o 1º estágio e a redação publicitária

Por Masao Yogi

Quando terminei o 3º ano, prestei meu primeiro vestibular (para Direito) e levei bomba, nunca imaginei que isso poderia ser bom. Um ano depois, incentivado por pessoas que viviam falando bem dos meus textos, decidi fazer jornalismo e com medo de levar bomba novamente, resolvi procurar também o curso de uma faculdade particular. Entre as faculdades e os cursos, escolhi Publicidade e Propaganda, mais pela denominação Comunicação Social ser a mesma de Jornalismo, do que por qualquer outra coisa, afinal, até então, Publicidade e Propaganda para mim, era a parte chata da programação da televisão.

Naquele ano, para minha surpresa (nunca fui um mau aluno, mas também odiava estudar para o vestibular), consegui passar para jornalismo e também para publicidade. Resumindo o muído, frequentei as aulas dos dois cursos por um semestre, mas resolvi me dedicar a uma só coisa, e como o mundo da Publicidade já havia me fisgado, larguei a segurança de uma Universidade Federal, para me aventurar no mundo dos criativos. Mas como toda atitude tem uma consequência, tive que procurar um emprego para conseguir pagar, pelo menos, uma parte da mensalidade. Comecei a correr atrás, pedindo daqui e ali, batendo em tudo que era agência de João Pessoa, até conseguir uma oportunidade em uma pequena agência da cidade chamada Estratégia Publicidade. Até hoje agradeço a Rui Silva, por ter me aberto às portas daquele tão intrigante mundo da propaganda.

A agência era pequena, Rui (o proprietário), eu e mais dois diretores de arte ficávamos na maior sala da agência, em uma sala ao lado, Diego trabalhava como uma espécie de faz tudo, diagramando tabloides e fazendo as correrias de RTVC. Em uma sala ainda menor, ficava Thaysa, responsável pela mídia. Eu participava de todas as criações, sempre rolavam brainstorms, onde eu tinha a oportunidade de dar algumas ideias, que dificilmente eram aproveitadas (era cada coisa sem noção). Quando o movimento da criação era pequeno eu passava o dia ajudando a galera. Cortava foto, ajudava escolher mídia, saia para entregar arquivo em gráfica, ia acompanhar edição de filme, enfim, eu era um estagiário.

Lembro com muito carinho de um job que chegou para uma loja infantil. Tínhamos que criar uma logomarca, slogan e todo o padrão visual, o nome da loja era Nika Trika. Rolou o brainstorm e eu sugeri fazer algo com magia. Criamos uma logo que era um chapéu mágico e o slogan era “a magia de vestir bem” (o primeiro slogan que eu criei).

Eu era um estagiário e não tinha um papel definido dentro da agência, estava ali para aprender.

No fim do ano, como é de praxe, teve o amigo secreto da empresa, confraternização de fim de ano e festa. Fizemos o sorteio e meu amigo secreto foi Gisleine, esposa de Rui, que cuidava do setor financeiro da agência. A essa altura eu já estava muito enturmando com a equipe da Estratégia, já almejava muito me estabelecer como redator publicitário e deixar o cargo sofrível, de estagiário. O fato de minha amiga secreta ter sido Gisleine me pareceu uma excelente oportunidade para mostrar meus textos. Não lembro qual foi o presente que comprei para ela, mas sei que dediquei um bom tempo em um texto que compunha o cartão.

No dia da confraternização, teve a entrega dos presentes e quando eu entreguei o presente, fiquei na expectativa de que ela lesse o cartão. O texto falava sobre o orgulho de vestir a camisa da empresa, agradecia pela oportunidade e coisas desse tipo. Para a minha surpresa e alegria, ela levantou, pediu a palavra e leu o meu texto em voz alta para toda a equipe, foi muito massa, senti orgulho e alegria.

A confraternização foi em um sábado, e na segunda-feira que sucedeu esse dia, Rui e Gisleine me chamaram e me contrataram como redator.

Não é uma história ousada como a do carro quebrado de Washington Olivetto, mas é algo que pode seguir de exemplo para estudantes. Sua oportunidade pode estar no papelzinho amassado de um amigo secreto.

Sobre o autor: Masao Yogi Junior é graduado em Publicidade e Propaganda e pós graduando em Marketing e Comunicação. Atua no mercado publicitário da Paraíba há mais de 10 anos como redator e diretor de criação, tendo passagem por diversas agências do estado. Atualmente é sócio diretor de criação da Agência CaféCom Propaganda. 

terça-feira, 27 de março de 2012

O cliente amador

Por Emerson Saraiva
Foi na época em que eu trabalhava no Studio NOAR, há uns 15 anos, que comecei a fazer, além das partes técnica (fotografia, iluminação, edição etc.) e criativa (conceito, ideia, roteiro etc.)  em publicidade e propaganda audiovisual, também a parte de produção.

Na verdade não gosto dessa área e fui obrigado a fazer isso porque eu não tinha como realizar os projetos que desenvolvia sem que tivesse toda uma estrutura para viabiliza-los, então comecei a cadastrar pessoas, lugares, prestadores de serviços e quando aparecia algum filme eu contatava todo mundo, fazia o orçamento e repassava para o cliente.

Certa vez fui chamado, em cima da hora, como sempre, para produzir o filme de uma famosa boutique campinense. O filme não tinha nada de criativo. Uma música legal, modelos produzidos em locações interessantes e pronto. Entrei em contato com todo mundo, calculei os custos e já na véspera das gravações passei o orçamento para a corretora que atendia à cliente.

Nessa época um VT basicão custava, em média, uns R$ 400,00 e o meu orçamento deu uns R$ 2.000,00. A cliente me ligou depois de receber a proposta e quase me “engolia”. Me disse que eu estava louco e até insinuou que eu queria rouba-la por ela não ser “da área”. Como o filme estava agendado para entrar no ar uns dois dias depois, a dona da loja disse à corretora que contratasse apenas a “filmagem” e do resto ela se encarregaria.

No dia marcado, a equipe foi até a loja. Ao chegar, perguntaram à dona o que seria gravado. Como “pans” e “zooms” das prateleiras já eram mico naquela época e ela lembrava muito bem do que eu havia proposto em meu roteiro, mesmo sem se preocupar em estar roubando minhas ideias, assumiu ela mesma o papel de produtora.

Inicialmente, ligou para duas amigas que tinham filhos jovens e bonitos e os convidou para participar. Duas horas depois, os três – duas meninas e uma rapaz – estavam na loja, com as caras lavadas.

Corre e chama uma cabelereira e uma maquiadora!

Depois de cinco horas – lá pelas 15h – finalmente estavam todos prontos.

Onde vamos gravar? Perguntou o cinegrafista. A dona da loja, mais uma vez, lembrou das locações que eu havia proposto e disse os lugares. O cinegrafista perguntou, então, quem iria dirigir a produção e como o pessoal iria para as locações, pois no carro da produtora só cabiam a equipe técnica e os equipamentos.

A dona da loja então colocou todo mundo – modelos, maquiafora e cabelereira – em seu carro e foram para a rua. Começaram a gravar às 16h. Às 17h20 a luz foi embora e nem um quinto das roupas havia sido gravado. Como o filme era de primavera-verão, o ideal era que fosse gravado com luz natural. Resultado: gravação suspensa até o dia seguinte.

No dia seguinte, todo mundo na loja de novo, duas horas para que estivesse tudo pronto e “vamo simbora” gravar. Assim como no dia anterior a cliente levou os “modelos” para lanchar, no segundo dia foi todo mundo almoçar por conta dela, para não perder tempo. E ela não levaria os filhos das amigas para qualquer lugar. Foi coisa chique...

As gravações terminaram outra vez ao por do sol.

No terceiro dia, já no deadline para entregar na TV, editei o material com uma música de um CD que a cliente mandou (bem parecida com a que eu propus) e mandei uma cópia, pela corretora, para aprovação.

A cliente assistiu e adorou o resultado.

Ligou para agradecer pela edição, sem saber que quem havia editado era o “ladrão” de dois dias atrás. Quando atendi, ela reconheceu minha voz e ficou constrangida, mas mesmo assim elogiou a qualidade da edição e disse que o filme havia ficado muito bom.

Eu, para não perder a oportunidade, elogiei todo o trabalho de produção que ela desempenhou e perguntei, como quem não quer nada: - Se fosse para cobrar pelo seu trabalho, quanto seria?

A mulher quase caiu no choro e desabafou: - Perdi dois dias de trabalho, gastei mais do que você me cobrou com transporte, alimentação, maquiagem, cabeleireiro, deixei de resolver minhas coisas, não paguei cachê mas tive que presentear os modelos com roupas que valiam muito mais do que os modelos que você propôs cobravam. Deus me livre! Nunca mais eu faço isso!

No final, calculando tudo, inclusive o trabalho de gravação, que aumentou muito por causa dos problemas de logística, o filme deve ter custado umas três vezes mais e, sinceramente, apesar do esforço para editar, ficou extremamente brega.

Moral da história: você não se atreveria a fazer você mesmo o trabalho de um médico ou de um engenheiro. Ao se meter no trabalho de quem produz filmes, graças à impressão equivocada de que é tudo muito fácil e divertido, a única coisa que você consegue é aprender da pior maneira que quem trabalha com isso também precisa ter grande competência técnica e artística e que os curiosos, além de motivo para piadas e causos no meio, ao investirem seu tempo e dinheiro no amadorismo, não só “contratam” os piores fornecedores como têm os piores resultados.

Essa história é antiga e a lógica é que fosse coisa do passado, mas as novas tecnologias e a popularização dos recursos, ao invés de diminuir esse tipo de evento, o tem multiplicado. 

Se multiplicam no mercado os “espertos” que acham que quem cobra justamente pelo seu trabalho quer rouba-los e se metem a tentar fazer eles mesmos ou através de amigos que “mexem” com isso, para conseguir “baratinho” o que acham caro.

Algumas poucas vezes o resultado nem é tão ruim, mas a regra geral é mesmo de fracassos completos ou parciais, baixíssima qualidade e prejuízos financeiros e comerciais.

Para quem trabalha na área e tem a capacidade e competência necessárias, felizmente é isso que garante, desde que não se dobre às propostas de trabalhar na base do arranjo ou da gambiarra, não precisar se render a esses que são amadores até como clientes.

Sobre o autor: Emerson Saraiva é publicitário, diretor de arte e mídia, jornalista e professor. Já atuou em agências de publicidade e produtoras de vídeo. Atualmente também presta consultoria em comunicação.